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Copa pode aumentar PIB em até um ponto, mostram estudos

25/06/2014 |
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Vai ter Copa e o efeito do evento sobre a economia brasileira pode aliviar um pouco o clima de jogo perdido que tomou conta das expectativas. Após um punhado de projeções que apontaram efeitos mínimos ou nulos da Copa sobre a atividade do país, estudo conduzido por Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, parte de perspectiva mais abrangente ao olhar para o desempenho das economias que sediaram o evento desde 1982, concluindo que, nesses países, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) registrou aceleração de um ponto percentual, em média, no ano da Copa - o que pode se repetir por aqui.

O impacto pode fazer com que o crescimento do PIB ganhe algum alento, ficando acima de 2% em 2014. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, a mediana do mercado para a atividade econômica neste ano aponta alta de 1,4%. Um pouco mais otimista, a LCA espera avanço de 1,8%. São sobre essas projeções, diz Borges, que esse impacto benigno da Copa deve ser considerado.

Borges ressalta alguns fatores que podem trazer fôlego novo à economia. A Embratur aponta a vinda de 600 mil turistas estrangeiros ao Brasil por conta do evento, além de 3,1 milhões de turistas locais, cujos desembolsos devem chegar a R$ 6,7 bilhões. O número de estrangeiros, contudo, pode ser maior, já que, de acordo com a Embratur, mais de 500 mil turistas estrangeiros já compraram ingressos para a competição e, nos cálculos da entidade, o total desses visitantes que chegam a um país que sedia a Copa ultrapassa em 30%, em média, o número daqueles que compram ingressos para os jogos da competição.

Estudo do World Travel & Tourism Council (WTCC), indica que a contribuição total (que inclui efeitos de investimento, por exemplo) do setor de viagens e turismo brasileiro para o PIB local deve subir 5,2% no ano da Copa (ou R$ 22,9 bilhões) - de R$ 443,7 bilhões (9,2% do PIB) em 2013 para R$ 466,6 bilhões (9,5% do PIB) em 2014. "Considerados outros efeitos diretos e os indiretos, seria razoável estimar esse impacto adicional de cerca de 1 ponto percentual em 2014", diz Borges.

O estudo do economista da LCA engloba países que sediaram o evento desde 1982, comparando o crescimento do PIB no ano imediatamente anterior ao da Copa com a variação nos dois anos seguintes. Assim, houve uma aceleração do crescimento no ano do Mundial e algum arrefecimento no ano seguinte (0,5 ponto, em média) na Espanha, Estados Unidos, França, Coreia do Sul, Japão, Alemanha e África do Sul. O efeito só não foi comprovado no México, em 1986, e na Itália, em 1990.

Para afastar o que poderia ter sido apenas uma coincidência, Borges comparou o padrão mediano de oscilação do PIB desses países que sediaram a Copa com a oscilação do PIB mundial nos mesmos períodos e comprovou que os movimentos foram bem diferentes da oscilação da economia mundial, o que sugere um efeito genuíno do evento sobre o crescimento do PIB, em especial no ano de sua realização.

Dados mais recentes da empresa espanhola Forward Data em parceria com a Pires & Associados indicam que até o dia 1º de junho, 392,2 mil reservas aéreas internacionais haviam sido feitas apenas para o período de Copa (considerado entre 6 de junho e 13 de julho) - uma alta de 62,5% em relação a igual período do ano passado. "Além do impacto sobre a imagem do país, existe um reflexo positivo sobre a economia, diz Jeanine Pires, diretora da Pires. Segundo Jeanine, as paralisações mais recentes, como as que têm ocorrido no transporte público, por exemplo, atrapalham a economia, mas não são um fenômeno apenas brasileiro. "Isso ocorreu também em outros países-sede por conta da enorme visibilidade do evento."

Para Daniel Sousa, mestre em economia pela UERJ e professor do curso Clio Internacional, o momento difícil pelo qual passa a economia brasileira, com crescimento fraco e níveis de confiança em queda, acaba afetando as expectativas para a Copa, levando muitos economistas a prever impactos até mesmo negativos do evento sobre a atividade. Sousa acredita, no entanto, que, embora difícil de mensurar, o impacto do Mundial sobre a economia deve ser positivo em razão das obras de infraestrutura, que geram emprego e elevam a demanda, do aquecimento do setor de turismo e também da maior atratividade do país com relação a investimentos externos e novas oportunidades de negócios.

"É claro que qualquer estudo que tente mensurar esse impacto vai acabar sendo refém das premissas usadas, mas acredito que vamos ter um crescimento maior com a Copa do que teríamos sem ela", diz o professor.

Borges não descarta alguns fatores que podem até mesmo neutralizar os impactos positivos do Mundial, fazendo com o que Brasil encerre o ano mais próximo do México ou da Itália quando sediaram o evento do que dos outros países onde o efeito foi mais promissor. Os dias parados na indústria, por exemplo, têm poder de estragar parte da festa.

"O efeito da Copa sobre os dias úteis não é claro. Embora muitas empresas estejam dando férias coletivas, não sabemos se elas estão acumulando estoques antes da Copa, ou então vão trabalhar mais horas antes ou depois do evento para compensar", diz Borges. Para o economista da LCA, se o efeito da Copa, no caso brasileiro, será líquido dos efeitos negativos, "só vamos saber daqui três ou quatro meses".

Custo do evento para Tesouro é estimado em R$ 1,35 bi

O custo direto da Copa do Mundo para o Tesouro Nacional está calculado, pelo menos por enquanto, em R$ 1,352 bilhão até 2015, segundo levantamento do Valor PRO, serviços de informações em Tempo Real do Valor, com base em números repassados pela Receita Federal, Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda e que constam da prestação de contas do governo da presidente Dilma Rousseff referente a 2013 e aprovada no fim do mês passado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Até 2014, esse desembolso está estimado em R$ 1,1 bilhão.

A conta foi feita com base na isenção de tributos como Imposto de Importação (II), Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) para a organização e operacionalização de atividades voltadas à realização da Copa das Confederações (2013) e da Copa do Mundo. Também foi incluída parte da despesa com a criação de linhas de crédito com condições especiais para financiamento de reforma e construção de estádios e hotéis - o ProCopa Arena e o ProCopa Turismo - e para melhoria da mobilidade urbana de cidades que sediarão os jogos da Copa.

A expectativa, no entanto, é de que o custo da Copa seja ainda maior pois os levantamentos obtidos pelo Valor PRO não consideram os subsídios financeiros, ou seja, a equalização dos juros (diferença entre o custo financeiro pago pelo Tesouro ao captar no mercado o dinheiro e a remuneração que recebe do banco público). Os benefícios tributários e creditícios concedidos pelo governo federal acabam afetando as contas do Tesouro de duas formas: reduzindo arrecadação de tributos e aumentando as despesas.

Segundo dados do TCU, os gastos totais do país com a Copa do Mundo vão superar R$ 26 bilhões. Deste total, 83,6% ou R$ 21,4 bilhões, saíram do setor público - via orçamentos ou linhas de crédito liberadas por instituições federais. A iniciativa privada responde por R$ 4,2 bilhões, ou 16,4%.

Somente a isenção de tributos federais vai custar R$ 639,2 milhões aos cofres públicos até de 2015, conforme dados da Receita Federal. Até dezembro, o governo deixará de arrecadar R$ 405,44 milhões. A maior parte da desoneração prevista até o fim de 2015 ou o equivalente a R$ 513,54 milhões se trata de desonerações para atender a Fifa. O restante (R$ 121,66 milhões) se refere a projeção de renúncia entre 2012 e 2014 com o chamado do Regime Especial de Tributação para Construção, Ampliação, Reforma ou Modernização de Estádios de Futebol (Recopa), que prevê a desoneração tributária incidente sobre a contribuição de PIS/Pasep, a Contribuição para financiamento da Seguridade Social (Cofins), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto de Importação.

Já os benefícios creditícios das linhas de crédito com condições especiais estão custando aos cofres públicos R$ 713,032 milhões, sendo que a previsão feita com base nos contratos fechados até fim de 2013 e trazidos a valor presente. "Esse é o potencial máximo de benefício de todas as operações de crédito feitas entre 2010 e 2013", frisou uma fonte da área econômica. Foram firmados 84 contratos entre 2010 e 2013 com prazo médio de 11,2 anos.

Para calcular esse custo creditício da Copa, a SPE considerou o valor do financiamento como um ativo do setor público, sendo que o retorno é dado pela diferença entre a taxa de juros do empréstimo e o custo de oportunidade estipulado para o uso do recursos. Há subsídio quando o retorno deste ativo é negativo, ou seja, quando um investimento referência do governo central tem uma taxa maior do que a do empréstimo.

Segundo relatório do TCU e dados da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, não foram apurados os subsídios financeiros - desembolsos efetivos com equalização de juros nos empréstimos feitos, por exemplo, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção de estádios e hotéis. Procurados, Ministério do Esporte e Receita Federal não comentaram o assunto. A SPE repassou os valores do custo creditício para o governo mas optou por não fazer uma avaliação mais detalhada sobre o assunto.

Fonte: ANTP

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