X
Cadastre-se e concorra a um Tablet novinho! O sorteio será realizado no dia 30/09/15.

A vida do aço no campo

17/06/2013 |
Compartilhar

As perspectivas de crescimento do consumo de aço no agronegócio é tema recorrente em indústrias do setor. Depois de um 2011 marcado pelo enfraquecimento da demanda na Europa em crise e nos Estados Unidos, o que deixou os empresários reticentes, a temporada de novos investimentos no Brasil já a partir de 2012 criou expectativas mais otimistas – e isso pelo menos pelos próximos quatros anos. Em 2013, a palavra-chave é otimismo.

O presidente da ArcelorMittal Aços Longos para a América do Sul, Augusto Espeschit de Almeida, diz que o Brasil se tornou quase que um paraíso para investidores. “Isso, de uma certa forma, é bom, mas temos de tomar muito cuidado com essa visão”. Entretanto, ele está otimista com a expansão da economia brasileira e de alguns dos vizinhos da América do Sul, como Peru e Bolívia, o conglomerado vai se aproveitar da eficiência máxima de suas fábricas para atender as compras mais aquecidas no subcontinente.

Já o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Celso Casale, fala em um período de recuperação para o setor de máquinas e equipamentos. “Pelo menos no nosso segmento tivemos um bom ano. Os dados consolidados de janeiro a dezembro apontaram para um crescimento de 8,5% no faturamento nominal do segmento de máquinas e implementos agrícolas, que totalizou R$ 10,8 bilhões. Também no número de empregados atingimos a marca de 59.236 funcionários, o que representou um avanço significativo, na casa dos 8,4% em comparação com o quadro existente em dezembro de 2011. Nossa expansão foi decorrente de dois fatores principais: a boa safra com bons preços das principais commodities agrícolas e a regularidade da oferta de crédito para compra de máquinas, que deixaram os agricultores com recursos suficientes para investir em renovação ou ampliação de sua frota de máquinas e implementos”, explicou.

Casale acredita que os bons resultados alcançados deverão ser mantidos em 2013, em razão da tendência de continuidade dos investimentos na produção agropecuária. Produtores capitaneados por boas safras, dando regularidade na oferta de financiamento e estimulando programas de apoio à agricultura familiar e maior conscientização do agricultor em relação aos ganhos decorrentes da mecanização da produção são pontos positivos que confirmam o bom desempenho nas vendas de máquinas e implementos agrícolas.

A previsão de crescimento de 10%, em 2013, é otimista, porém, merece cautela, diz Casale. “Estamos crescendo isoladamente em meio a uma economia que apresenta índices de expansão bastante discretos. A marcha lenta das economias centrais (Estados Unidos e Comunidade Econômica Europeia) despertam a atenção de fabricantes de todo o mundo para o mercado brasileiro. Como a nossa agricultura tem registrado índices expressivos e constantes de expansão, todos os grandes fabricantes de implementos e máquinas do mundo olham com bastante interesse para o nosso mercado”, diz Casale.

Um ponto bastante positivo é o forte desenvolvimento do Rio Grande do Sul na agricultura e na pecuária, o Estado sempre se coloca entre os de maior demanda de máquinas e implementos. Há também entre os produtores gaúchos uma maior cultura e tradição de investir em tecnologia e inovação, o que acaba também puxando as vendas de implementos e máquinas. A presença é forte também no interior de São Paulo por existir um bom número de grandes indústrias do setor instaladas. É um excelente mercado, assim como são os mercados dos estados líderes na produção agrícola. No caso do Rio Grande do Sul, esperamos um aumento entre 10% e 15% para as vendas de máquinas e implementos agrícolas em 2013.

Oportunidades de negócio para a indústria do inox, de aços elétricos e especiais ao carbono, principalmente no Brasil, devem-se uma série de fatores e de projetos. A questão ambiental, a descoberta do pré-sal, a fronteira agrícola, Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas de 2016 são alguns dos ‘motores’ da cadeia. Para a Aperam South America, o inox ampliou significativamente o seu leque de aplicação. Segundo a assessoria da empresa, há aplicações em mobiliário urbano, acessibilidade, decoração e design. Em relação ao setor de gás e petróleo, existe um investimento em produtos como o aço duplex, com maior resistência mecânica e à corrosão, no intuito de atender a demanda proveniente da exploração no pré-sal. Quanto ao agronegócio, a participação do aço deve crescer muito, como no caso do setor sucraalcoleiro, no qual já peças específicas para alguns clientes já foram desenvolvidas.

O bom momento vivido pela agricultura brasileira está atraindo grandes investidores dispostos a explorar o mercado brasileiro, o que pode provocar ou acelerar fusões, incorporações e aquisições. Outro desafio hoje da CSMIA é criar condições para elevar o padrão tecnológico das empresas associadas para que elas consigam melhorar sua competitividade, e assim enfrentar uma concorrência cada vez mais acirrada e mais globalizada, inclusive com possibilidade de ocorrer fusões e incorporações no segmento.

O vice-presidente da Área de Máquinas Agrícolas da Associação do Aço do Rio Grande do Sul (AARS), Duílio Weissheimer De La Corte, exemplifica o segmento de colheitadeiras. “No mercado interno, o total vendido dessas máquinas cresceu 17,3%, em 2011, na comparação com 2010, passando de 4.549 para 5.338 unidades. As vendas externas, por sua vez, cresceram menos, 5,7%, indo de 2.261 para 2.389 colheitadeiras exportadas. No conjunto, as vendas desse segmento aumentaram 13,5%, crescendo de 6.810 para 7.727 máquinas comercializadas”, relembrando o início do boom desse mercado.

Ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, hoje coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (GV Agro), lembra de outro fator que contribuiu para o aumento da renda do setor. Ele diz ter detectado um fenômeno novo, ainda pouco divulgado, que tem ajudado a aumentar o consumo de aço. Segundo ele, é um fato curioso que vem ocorrendo no Centro-Oeste, assim como no Triângulo Mineiro e em Tocantins. “Houve três bons anos agrícolas seguidos nessa região”, explica. “Isso causou uma redução da dependência do agricultor por crédito, e isso fez deles agentes produtivos quase autossuficientes”.

De acordo com Rodrigues, esses produtores ganharam dinheiro nos últimos três anos e não querem ou não precisam mais investir em suas fazendas. Isso porque esses agropecuaristas já renovaram o seu parque motomecanizado, não vão comprar trator, já reformaram barracão, casa, deram uma consertada na vida e sobrou dinheiro. “Esses agricultores anônimos, desconhecidos, estão produzindo um movimento de urbanização desse dinheiro que está sobrando, por assim dizer”, explica Rodrigues. “Eles não querem aumentar a área plantada, querem diversificar. Eles têm três ou quatro filhos, dos quais um filho fica na fazenda e os outros saem, vão para a cidade”.

Ou seja, esse tipo de fazendeiro está montando empresa comercial, consultório de advogado, de dentista, para os filhos na cidade e comprando carro, caminhonete, apartamento. Está mudando o investimento dele da agricultura para outras áreas de atividade econômica que têm aço. “É um aquecimento da demanda urbana, por causa dessa injeção dos recursos agrícolas”, diz Rodrigues. “É uma inversão do processo, o campo, com sobra, está enriquecendo a cidade. E isso tem um reflexo na indústria do aço muito significativo, que ainda não está contabilizado”. Mas nem sempre foi assim. Até chegar a esse nível de importância para a economia brasileira e o desenvolvimento do país, a agricultura nacional teve que evoluir muito.

 

 

 

Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a safra de 2010/2011 foi de 149,1 milhões de toneladas, um pouco maior do que as 148,82 milhões de toneladas do ciclo anterior. Ainda de acordo com o MAPA, o agronegócio é um dos motores da economia brasileira, respondendo por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e um terço dos empregos. Em 2009, por exemplo, dado mais recente disponível, a produção agropecuária representou 42% das exportações, com US$ 64,7 bilhões dos US$ 152,2 bilhões vendidas ao exterior pelo país.

 

 

O engenheiro agrônomo Otávio Gutierrez explica uma forma que dá margem a uma grande produção do aço no setor de agronegócio. “O carvão vegetal no aço e no arame que cerca o gado nas fazendas de criação é um nicho de produção que cresce sempre, e que dá uma penetração bastante significativa no agronegócio”, resume. “O aço é feito da combinação do minério de ferro com o carbono, que tanto pode ter origem no carvão mineral, uma matéria prima de fonte finita, como pode vir do carvão vegetal obtido a partir da madeira de florestas plantadas e, portanto, um recurso renovável”.

 

De acordo com Gutierrez, já há empresas brasileiras produzindo aço com certificação de uso de carvão vegetal e gozando dos benefícios dos contratos ambientais de sequestro de carbono, de modo que as aciarias e todo o imenso universo industrial baseado no aço passarão crescentemente a também fazer parte da cadeia do agronegócio. Com a população dos países emergentes crescendo mais rápido do que a produção de alimentos, não faltou demanda para os produtos agropecuários. Isso fez com que os preços das principais commodities agrícolas ficassem acima da média histórica. Como não poderia deixar de ser, esses aspectos positivos se refletiram no consumo de aço, principalmente indireto, por meio do segmento de máquinas agrícolas, que também teve um bom desempenho nos últimos anos.

Gerente executivo comercial para os segmentos industriais da Aperam South America, Daniel Rodolpho Domingues, diz que o agronegócio dá margem para que vários trabalhos sejam feitos em torno do mercado. “Nesse sentido, o Centro de Pesquisas da Aperam South America representa o nosso grande trunfo”, assegura Domingues. Para ele, com o crescimento de diversos segmentos ligados ao agronegócio, o aço salta na frente pela rentabilidade e diversificação apresentadas. “Há uma redução dos custos de manutenção em mineração e açúcar e álcool, por exemplo. Quanto ao agronegócio, a participação do nosso aço deve crescer muito, como no caso desse mesmo setor sucroalcooleiro, no qual já desenvolvemos peças específicas para alguns clientes”, cita Domingues.

 

Fonte: Revista do Aço

  • Assistência Técnica (19) 2534 9426
  • Administração (19) 2534 9412
  • Vendas (19) 2534 9400
Merax Máquinas e Equipamentos
Avenida Francisco Luiz Rasera, 825   Água Branca   CEP 13425-084   Piracicaba   SP   Brasil
merax@merax.com.br
Desenvolvido por index soluções
Merax Máquinas e Equipamentos
Avenida Francisco Luiz Rasera, 825   Água Branca   CEP 13425-084   Piracicaba   SP   Brasil
merax@merax.com.br
Desenvolvido por index soluções